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Por Arnaldo Bittencourt (texto)
Fotos: Marcus Lauria
O mercado automotivo brasileiro é dinâmico, mas alguns valores permanecem inabaláveis para o consumidor racional: a busca por um carro que não dê dor de cabeça, que trate bem os passageiros e que proteja o capital investido na hora da troca. O Honda City Hatchback EX 2026 surge como a resposta exata a essa demanda. Mais do que um compacto, ele se posiciona como um refúgio de engenharia bem executada em um cenário de custos crescentes. Vamos aos detalhes desta avaliação.
CONFIRA O VÍDEO: https://youtu.be/cE1-9ME4oNQ?si=5UzZaTrjJi6HUP6g
Design e Exterior: Refinamento Visual
O City recebeu em 2025 um facelift de meia-vida, atualizando o visual com novos para-choques e grade frontal, além de aprimorar a lista de equipamentos. A dianteira abandonou a "testa" cromada em favor de um acabamento em preto brilhante (piano black), conferindo um visual mais inclinado e esportivo. As rodas de liga leve de 16 polegadas possuem acabamento diamantado e casam perfeitamente com as proporções do carro.
No entanto, há pontos de atenção: apesar de contar com DRL (luz de rodagem diurna) em LED, os faróis principais e de neblina ainda utilizam lâmpadas halógenas (amarelas), o que destoa um pouco da modernidade do projeto. Outra ausência sentida são os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, embora a câmera de ré ofereça boa definição.
Desempenho e Eficiência: A Polêmica do Motor Aspirado
Enquanto a concorrência aposta quase que integralmente no turbocompressor, a Honda mantém o motor 1.5 i-VTEC de injeção direta, entregando 126 cavalos e 15,8 kgfm de torque.
Performance: Com um peso aproximado de 1.100 kg, o City EX entrega um desempenho honesto, com 0 a 100 km/h na casa dos 9,5 a 10 segundos. O câmbio CVT é muito bem calibrado, simulando marchas e garantindo respostas espertas no uso urbano.
O Trunfo do Câmbio CVT: Um ponto de destaque, e que merece quebrar o preconceito de muitos motoristas brasileiros, é a transmissão CVT. Embora esse tipo de câmbio costume ser desdenhado por deixar o carro "sem graça", a Honda realizou uma calibração primorosa nesta linha 2026. O carro não passa aquela sensação de ser "xoxo" ou "molenga"; pelo contrário, ele performa muito bem, respondendo rápido aos comandos e parecendo estar sempre na "marcha" correta para a situação.
Consumo: Este é o grande trunfo. O modelo chega a fazer 12 km/l na cidade e impressionantes 16 km/l na estrada com gasolina.
Dinâmica de Condução: Suspensão e Solidez ao Volante
Um dos pontos mais elogiados na linha 2026 é o acerto de suspensão. O Honda City EX entrega um rodar extremamente macio, projetado sob medida para as vias brasileiras.
Filtragem de Imperfeições: A suspensão trabalha de forma exemplar, filtrando buracos e remendos de asfalto com eficiência. O motorista e os passageiros sentem muito pouco as imperfeições da pista, o que torna a condução relaxante e menos cansativa.
Sensação de Solidez: Mesmo sendo macio, o carro não transmite insegurança. Pelo contrário, há uma clara sensação de solidez ao volante. O carro parece "inteiro", sem ruídos de acabamento ou vibrações excessivas, o que reforça a percepção de qualidade construtiva da Honda. Além disso, ele se mantém firme em curvas, auxiliado pelos controles eletrônicos de estabilidade e tração.
Interior e Praticidade: Referência em Engenharia de Cabine
O interior do City EX é onde a Honda demonstra sua maestria em aproveitamento de espaço e ergonomia. Ao entrar no veículo, a sensação é de estar em um carro de categoria superior, especialmente no que diz respeito à habitabilidade.
Espaço e Versatilidade Traseira
O grande destaque é o sistema Magic Seat. Herdado do lendário Fit, ele permite elevar o assento dos bancos traseiros (estilo picape), criando um vão livre para objetos altos, ou rebatê-los totalmente para um assoalho plano.
Conforto de quem viaja atrás: O espaço para as pernas é fenomenal. Mesmo com um motorista de 1,80 m, o passageiro traseiro consegue cruzar as pernas com folga. O túnel central é muito baixo, facilitando a vida de um terceiro ocupante.
Comodidades: Há saídas de ar-condicionado dedicadas para a traseira, porta-revistas em ambos os encostos dianteiros e duas modernas portas USB-C. Um detalhe inteligente é o cinto de segurança central, que fica recolhido no teto para não atrapalhar a visão quando não está em uso.
Acabamento e Ergonomia Dianteira
Embora o painel utilize plásticos rígidos, a Honda aplicou texturas e encaixes precisos que transmitem robustez. Nas portas, há apliques em tecido/couro sintético nos apoios de braço para melhorar o toque.
Bancos: São em tecido de alta qualidade, com densidade de espuma correta que "abraça" o corpo e evita que o motorista deslize em curvas.
Posto de Comando: O volante, apesar de não ter revestimento em couro nesta versão (é emborrachado), possui excelente empunhadura e botões multifuncionais intuitivos. O painel de instrumentos mistura o clássico com o moderno: velocímetro e conta-giros analógicos flanqueiam uma tela digital com funções completas de consumo e configurações do sistema Sensing. Destaque para o "econômetro" em LED, que muda de cor (verde para eco) conforme o seu modo de condução.
Praticidade Diária: Todos os vidros têm função "um toque" para subir e descer. O freio de estacionamento é eletrônico com função Brake Hold, permitindo tirar o pé do freio em semáforos.
Tecnologia e Segurança: O Pacote Honda Sensing
Diferente de muitos concorrentes que reservam a segurança ativa apenas para as versões topo de linha, o City EX 2026 já vem equipado com o Honda Sensing. O pacote inclui: Piloto automático adaptativo (ACC) com função Stop & Go; Frenagem autônoma de emergência; Assistente de permanência em faixa; 6 airbags (frontais, laterais e de cortina).
A central multimídia de 8 polegadas é simples, mas eficiente, oferecendo espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto. Um ponto negativo notado foi o carregador por indução, que permite que o celular deslize, interrompendo o carregamento durante a condução.
O City EX frente aos Novos Rivais: Racionalidade vs. Emoção
Com a movimentação do mercado, o Honda City EX passa a ser confrontado por propostas que apostam alto em motorização turbo e estilo. Veja como ele se sai contra o tecnológico Peugeot 208 e o equilibrado Chevrolet Onix.
Honda City EX vs. Peugeot 208 GT (Turbo 200)
A vantagem do 208 GT: Este é o "esportivo" da turma. Equipado com o motor Turbo 200 (da Stellantis), entrega 130 cv e um torque de 20,4 kgfm já em baixas rotações, garantindo acelerações muito mais vigorosas. O design é agressivo e o interior "i-Cockpit" é futurista.
Onde o City vence: No espaço e na versatilidade. O 208 é conhecido por ser apertado no banco traseiro — quase claustrofóbico para quem tem mais de 1,80 m. O City EX supera o rival no conforto dos passageiros e na modularidade do sistema Magic Seat. Além disso, a desvalorização da Honda costuma ser bem menor que a da Peugeot.
2. Honda City EX vs. Chevrolet Onix Premier
A vantagem do Onix: O Onix Premier é o rei do custo-benefício em equipamentos. Ele oferece Wi-Fi nativo, sistema OnStar e assistente de estacionamento automático (Park Assist), itens que você não encontra no City EX. O motor turbo também garante retomadas mais ágeis na estrada.
Onde o City vence: Na sofisticação do conjunto de segurança. Enquanto o Onix tem alertas de ponto cego, o City EX entrega o pacote Honda Sensing com tecnologias de condução semiautônoma mais avançadas. O acabamento interno da Honda também passa uma sensação de maior durabilidade que o da GM.
Tabela Comparativa Rápida (Linha 2026)
|
Característica |
Honda City EX |
Peugeot 208 GT |
Chevrolet Onix Premier |
|
Motor |
1.5 Aspirado (126 cv) |
1.0 Turbo (130 cv) |
1.0 Turbo (116 cv) |
|
Torque |
15,8 kgfm |
20,4 kgfm |
16,3 kgfm |
|
Espaço Traseiro |
Excelente (Líder) |
Muito Apertado |
Bom |
|
Segurança |
Sensing (ACC/Frenagem) |
ADAS (Frenagem/Faixa) |
Alerta Ponto Cego |
|
Perfil |
Familiar / Sólido |
Jovem / Esportivo |
Urbano / Conectado |
Vale a compra?
Com o preço sugerido na casa dos R$ 135.000, o Honda City EX 2026 é uma escolha racional. Ele não entrega a "patada" inicial de um motor turbo, mas compensa com suavidade, economia e um valor de revenda historicamente alto.
Prós:
● Suspensão extremamente macia e sensação de solidez ao volante.
● Câmbio CVT muito bem calibrado, sem a apatia comum desse sistema.
● Espaço interno e modularidade Magic Seat (líder da categoria).
● Pacote de segurança ativa (Honda Sensing) de série.
Contras:
● Ausência de sensores de estacionamento.
● Faróis halógenos em um carro dessa faixa de preço.
● Carregador de celular por indução não segura o celular, causando interrupções na recarga.
● Porta-malas de 268 litros é limitado para famílias grandes.
● Volante e bancos sem revestimento em couro nesta versão.
Veredito: O Honda City EX é o carro ideal para quem busca conforto absoluto, segurança e um conjunto mecânico que responde com prontidão. Se você prioriza um rodar macio que ignora as imperfeições da pista e um câmbio que não te deixa na mão, ele continua sendo a melhor opção do segmento.
*FICHA TÉCNICA:
Motorização
Motor 1.5
Câmbio Automático
CVT com modo manual
Combustível Álcool e Gasolina
Direção elétrica
Performance
Potência (cv) Álcool: 126
Gasolina: 126
Torque (kgf.m) Álcool: 15.8
Gasolina: 15.5
Consumo cidade (km/l) Álcool: 9.2
Gasolina: 13.2
Consumo estrada (km/l) Álcool: 10.5
Gasolina: 15.0
Dimensões
Altura (mm) 1498
Tanque (L) 40
Largura (mm) 1695
Porta-malas (L) 268
Comprimento (mm) 4343
Entre-eixos (mm) 2600
Peso (kg) 1182
Ocupantes 5
Freios e Suspensão
Suspensão dianteira
Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal.
Suspensao traseira
Suspensão tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal.
*Dados do fabricante
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