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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Avaliação do Honda City Hatchback 1.5 EX CVT 2026

 

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Por Arnaldo Bittencourt (texto)

Fotos: Marcus Lauria 

O mercado automotivo brasileiro é dinâmico, mas alguns valores permanecem inabaláveis para o consumidor racional: a busca por um carro que não dê dor de cabeça, que trate bem os passageiros e que proteja o capital investido na hora da troca. O Honda City Hatchback EX 2026 surge como a resposta exata a essa demanda. Mais do que um compacto, ele se posiciona como um refúgio de engenharia bem executada em um cenário de custos crescentes. Vamos aos detalhes desta avaliação. 

CONFIRA O VÍDEO: https://youtu.be/cE1-9ME4oNQ?si=5UzZaTrjJi6HUP6g 

Design e Exterior: Refinamento Visual 

O City recebeu em 2025 um facelift de meia-vida, atualizando o visual com novos para-choques e grade frontal, além de aprimorar a lista de equipamentos. A dianteira abandonou a "testa" cromada em favor de um acabamento em preto brilhante (piano black), conferindo um visual mais inclinado e esportivo. As rodas de liga leve de 16 polegadas possuem acabamento diamantado e casam perfeitamente com as proporções do carro. 

No entanto, há pontos de atenção: apesar de contar com DRL (luz de rodagem diurna) em LED, os faróis principais e de neblina ainda utilizam lâmpadas halógenas (amarelas), o que destoa um pouco da modernidade do projeto. Outra ausência sentida são os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, embora a câmera de ré ofereça boa definição.

Desempenho e Eficiência: A Polêmica do Motor Aspirado

Enquanto a concorrência aposta quase que integralmente no turbocompressor, a Honda mantém o motor 1.5 i-VTEC de injeção direta, entregando 126 cavalos e 15,8 kgfm de torque.

 

Performance: Com um peso aproximado de 1.100 kg, o City EX entrega um desempenho honesto, com 0 a 100 km/h na casa dos 9,5 a 10 segundos. O câmbio CVT é muito bem calibrado, simulando marchas e garantindo respostas espertas no uso urbano. 

O Trunfo do Câmbio CVT: Um ponto de destaque, e que merece quebrar o preconceito de muitos motoristas brasileiros, é a transmissão CVT. Embora esse tipo de câmbio costume ser desdenhado por deixar o carro "sem graça", a Honda realizou uma calibração primorosa nesta linha 2026. O carro não passa aquela sensação de ser "xoxo" ou "molenga"; pelo contrário, ele performa muito bem, respondendo rápido aos comandos e parecendo estar sempre na "marcha" correta para a situação.

 

Consumo: Este é o grande trunfo. O modelo chega a fazer 12 km/l na cidade e impressionantes 16 km/l na estrada com gasolina. 

Dinâmica de Condução: Suspensão e Solidez ao Volante

Um dos pontos mais elogiados na linha 2026 é o acerto de suspensão. O Honda City EX entrega um rodar extremamente macio, projetado sob medida para as vias brasileiras.

Filtragem de Imperfeições: A suspensão trabalha de forma exemplar, filtrando buracos e remendos de asfalto com eficiência. O motorista e os passageiros sentem muito pouco as imperfeições da pista, o que torna a condução relaxante e menos cansativa.

 

Sensação de Solidez: Mesmo sendo macio, o carro não transmite insegurança. Pelo contrário, há uma clara sensação de solidez ao volante. O carro parece "inteiro", sem ruídos de acabamento ou vibrações excessivas, o que reforça a percepção de qualidade construtiva da Honda. Além disso, ele se mantém firme em curvas, auxiliado pelos controles eletrônicos de estabilidade e tração.

Interior e Praticidade: Referência em Engenharia de Cabine

O interior do City EX é onde a Honda demonstra sua maestria em aproveitamento de espaço e ergonomia. Ao entrar no veículo, a sensação é de estar em um carro de categoria superior, especialmente no que diz respeito à habitabilidade.

 

Espaço e Versatilidade Traseira

O grande destaque é o sistema Magic Seat. Herdado do lendário Fit, ele permite elevar o assento dos bancos traseiros (estilo picape), criando um vão livre para objetos altos, ou rebatê-los totalmente para um assoalho plano.

Conforto de quem viaja atrás: O espaço para as pernas é fenomenal. Mesmo com um motorista de 1,80 m, o passageiro traseiro consegue cruzar as pernas com folga. O túnel central é muito baixo, facilitando a vida de um terceiro ocupante.

 


Comodidades: Há saídas de ar-condicionado dedicadas para a traseira, porta-revistas em ambos os encostos dianteiros e duas modernas portas USB-C. Um detalhe inteligente é o cinto de segurança central, que fica recolhido no teto para não atrapalhar a visão quando não está em uso.

Acabamento e Ergonomia Dianteira

Embora o painel utilize plásticos rígidos, a Honda aplicou texturas e encaixes precisos que transmitem robustez. Nas portas, há apliques em tecido/couro sintético nos apoios de braço para melhorar o toque.

Bancos: São em tecido de alta qualidade, com densidade de espuma correta que "abraça" o corpo e evita que o motorista deslize em curvas.

 

Posto de Comando: O volante, apesar de não ter revestimento em couro nesta versão (é emborrachado), possui excelente empunhadura e botões multifuncionais intuitivos. O painel de instrumentos mistura o clássico com o moderno: velocímetro e conta-giros analógicos flanqueiam uma tela digital com funções completas de consumo e configurações do sistema Sensing. Destaque para o "econômetro" em LED, que muda de cor (verde para eco) conforme o seu modo de condução. 

Praticidade Diária: Todos os vidros têm função "um toque" para subir e descer. O freio de estacionamento é eletrônico com função Brake Hold, permitindo tirar o pé do freio em semáforos.

 

Tecnologia e Segurança: O Pacote Honda Sensing 

Diferente de muitos concorrentes que reservam a segurança ativa apenas para as versões topo de linha, o City EX 2026 já vem equipado com o Honda Sensing. O pacote inclui: Piloto automático adaptativo (ACC) com função Stop & Go; Frenagem autônoma de emergência; Assistente de permanência em faixa; 6 airbags (frontais, laterais e de cortina). 

A central multimídia de 8 polegadas é simples, mas eficiente, oferecendo espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto. Um ponto negativo notado foi o carregador por indução, que permite que o celular deslize, interrompendo o carregamento durante a condução.

 


O City EX frente aos Novos Rivais: Racionalidade vs. Emoção 

Com a movimentação do mercado, o Honda City EX passa a ser confrontado por propostas que apostam alto em motorização turbo e estilo. Veja como ele se sai contra o tecnológico Peugeot 208 e o equilibrado Chevrolet Onix. 

Honda City EX vs. Peugeot 208 GT (Turbo 200) 

A vantagem do 208 GT: Este é o "esportivo" da turma. Equipado com o motor Turbo 200 (da Stellantis), entrega 130 cv e um torque de 20,4 kgfm já em baixas rotações, garantindo acelerações muito mais vigorosas. O design é agressivo e o interior "i-Cockpit" é futurista.

 

Onde o City vence: No espaço e na versatilidade. O 208 é conhecido por ser apertado no banco traseiro — quase claustrofóbico para quem tem mais de 1,80 m. O City EX supera o rival no conforto dos passageiros e na modularidade do sistema Magic Seat. Além disso, a desvalorização da Honda costuma ser bem menor que a da Peugeot. 

2. Honda City EX vs. Chevrolet Onix Premier 

A vantagem do Onix: O Onix Premier é o rei do custo-benefício em equipamentos. Ele oferece Wi-Fi nativo, sistema OnStar e assistente de estacionamento automático (Park Assist), itens que você não encontra no City EX. O motor turbo também garante retomadas mais ágeis na estrada.

 

Onde o City vence: Na sofisticação do conjunto de segurança. Enquanto o Onix tem alertas de ponto cego, o City EX entrega o pacote Honda Sensing com tecnologias de condução semiautônoma mais avançadas. O acabamento interno da Honda também passa uma sensação de maior durabilidade que o da GM. 

Tabela Comparativa Rápida (Linha 2026) 

Característica

Honda City EX

Peugeot 208 GT

Chevrolet Onix Premier

Motor

1.5 Aspirado (126 cv)

1.0 Turbo (130 cv)

1.0 Turbo (116 cv)

Torque

15,8 kgfm

20,4 kgfm

16,3 kgfm

Espaço Traseiro

Excelente (Líder)

Muito Apertado

Bom

Segurança

Sensing (ACC/Frenagem)

ADAS (Frenagem/Faixa)

Alerta Ponto Cego

Perfil

Familiar / Sólido

Jovem / Esportivo

Urbano / Conectado

Vale a compra? 

Com o preço sugerido na casa dos R$ 135.000, o Honda City EX 2026 é uma escolha racional. Ele não entrega a "patada" inicial de um motor turbo, mas compensa com suavidade, economia e um valor de revenda historicamente alto. 

 Prós:

     Suspensão extremamente macia e sensação de solidez ao volante.

     Câmbio CVT muito bem calibrado, sem a apatia comum desse sistema.

     Espaço interno e modularidade Magic Seat (líder da categoria).

     Pacote de segurança ativa (Honda Sensing) de série. 

Contras:

     Ausência de sensores de estacionamento.

     Faróis halógenos em um carro dessa faixa de preço.

     Carregador de celular por indução não segura o celular, causando interrupções na recarga.

     Porta-malas de 268 litros é limitado para famílias grandes.

     Volante e bancos sem revestimento em couro nesta versão. 

Veredito: O Honda City EX é o carro ideal para quem busca conforto absoluto, segurança e um conjunto mecânico que responde com prontidão. Se você prioriza um rodar macio que ignora as imperfeições da pista e um câmbio que não te deixa na mão, ele continua sendo a melhor opção do segmento.

 

*FICHA TÉCNICA: 

Motorização

Motor 1.5

Câmbio Automático

CVT com modo manual

Combustível Álcool e Gasolina

Direção elétrica

 

Performance

Potência (cv) Álcool: 126

Gasolina: 126

Torque (kgf.m) Álcool: 15.8

Gasolina: 15.5

Consumo cidade (km/l) Álcool: 9.2

Gasolina: 13.2

Consumo estrada (km/l) Álcool: 10.5

Gasolina: 15.0

 

Dimensões

Altura (mm) 1498

Tanque (L) 40

Largura (mm) 1695

Porta-malas (L) 268

Comprimento (mm) 4343

Entre-eixos (mm) 2600

Peso (kg) 1182

Ocupantes 5

Freios e Suspensão

Suspensão dianteira 

Suspensão tipo McPherson e dianteira com barra estabilizadora, roda tipo independente e molas helicoidal. 

Suspensao traseira 

Suspensão tipo eixo de torção, roda tipo semi-independente e molas helicoidal. 

*Dados do fabricante

 

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